
Baiano, da cidade do Salvador, Cândido Barata Ribeiro alcançou, na medicina, no magistério e, na política, posição destacada. Médico, aos 24 anos de idade, começou a clinicar, em Capinas, onde dirigiu, na informação de um biógrafo, o Hospital de Caridade.
Fascinado pelo teatro, escreveu, Barata Ribeiro, em 1881, o “Segredo do Lar”, drama impressionante, de linguagem apurada. Dois anos mais tarde, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, conquistou, num concurso memorável, a cadeira de clínica médica e cirúrgica de crianças. Nessa cátedra o neto de Cipriano Barata de Almeida, o intimorato revolucionário e bravo nativista, teve, aplausos e vitórias, pelas fulgurações de sua cultura.
Bateu-se, Barata, pela redenção da raça negra, e combateu ao lado dos propagandistas da república. Quando o presidente Deodoro da Fonseca, em Salvador, em Novembro de 1891, ao imperativo das armas de Custódio José de Melo, deixou o governo. Barata Ribeiro esteve no seu posto, firme, entre as linhas de vanguarda de Floriano Peixoto. Iniciada a presidência florianista, para depor, escrevem Francolino Cameu e Artur Peixoto, “o presidente da municipalidade, d.r. José Felix da Cunha Menêses e seus companheiros”, Barata Ribeiro marchou frente ao povo, ao lado de Nilo Peçanha, de Tomaz Delfino e Coelho Lisboa.
Entregou-lhe, Floriano Peixoto, mais tarde, e ainda no ano de 1891, a presidência da Intendência Municipal desse Distrito. Obteve, Barata Ribeiro, em 1893, a nomeação de prefeito. Foi o 1º do Distrito Federal, e a ele “deve a cidade , narra o brilhante historiador Nelson Costa, o ter extinguido a “Cabeça de Porco”, célebre estalagem que havia na rua do Barão de São Felix, e muitas outras, focos de desordem e imundícies, realizou, na verdade, Barata Ribeiro, uma grande administração.
O povo carioca, 1900, enviou-o ao Senado da República, onde o ilustrado baiano permaneceu, até 1909, amado e respeitado pela sociedade em que viveu, pela família, sempre moça, e romântica, dos estudante, e pelo povo que lhe confiou, nas mais alta Casa do poder legislativo, a defesa de seus direitos.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica. Setembro de 1939 – Célio Meira.
