
Nasceu, na cidade do Recife, em 1878, Alfredo de Miranda Castro. Inteligente, poeta inspirado e jornalista, recebeu, aos 21 anos de idade, na Faculdade de Direito do Recife, a carta de bacharel, pertencente à turma de Bento Américo, notável prosador “sem verbo” e professor de direito, de Euzébio de Andrade, políticos das Alagoas, de Turiano Campelo, jornalista e político ardoroso, de Odilon Nestor, poeta de fina sensibilidade e professor daquela escola, e de Tito Rosas, o grande e malogrado advogado.
Na “Revista Contemporanea”, a trincheira de Teotônio Freire, de França Pereira e de Marcelino Cleto, traçou Alfredo Castro, crônicas maravilhosas e versos apreciáveis. Espirito brilhante, escrevendo em bom vernáculo , cêdo, conquistou, esse ilustre recifense, o aplausos das rodas literárias.
Ingressou na magistratura do estado do Ceará, ocupando o cargo de juiz de órfãos na comarca do Aracati. Deu-lhe, o governo federal, em 1905, o alto posto de procurador geral da República, na terra cearense.
Não se insulou, Alfredo de Castro, com a responsabilidades desse cargo, na ciência jurídica. Ligou-se, a esse tempo, conta Mário Linhares, poeta de raça, autor do “Florões”, a um grupo literatos de grande relevo, e entre esses, Álvaro Bomílcar, Fiúza de Pontes e de Álvaro Martins, que era o infatigável Policarpo Estouro da Padaria Espiritual, mantendo Alfredo de Castro, nessa companhia faiscante e amável, posição destacada.
Fez no “República”, oficina aguerrida de Antônio de Arruda, narra o brilhante escritor do “Poetas Esquecidos”, sua tenda luminosa de trabalho. Teve reputação firmada, e honrosa, na coluna da crítica das letras e das artes. Colaborou, também, a esse tempo, na revista “Heliópolis”, publicada no Recife, por um grupo de sonhadores.
Honrou, esse recifense de apreciadas qualidades morais e intelectuais, a justiça, a literatura e o nome de Pernambuco. Morreu moço, ainda, aos 53 anos de idade, no dia 1º de abril de 1926, em Fortaleza. Finou-se nesse dia, o delicioso poeta do “De sonho em sonho”.
Pertence, Alfredo de Castro, à galeria dos poetas ilustres de Pernambuco.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira.






























