Eleições 2026: candidaturas antonenses visando Brasília…..

Aplicado no Brasil há quase uma década (2017) o chamado Fundo Eleitoral – em 2026 em torno de 5 bilhões de reais – é um  recurso do Tesouro Nacional que “alimenta” as campanhas políticas. Democrático ou não, esse, entre outros,  é o dinheiro que os partidos e os candidatos dispõem  para botar seus respectivos times em campo.

Com efeito, é quase que exclusivamente através dele que pessoas comuns, oriundas das mais diversas classes sociais e de grupos minoritários conseguem  materializar um espaço nesse  sempre disputado “jogo de poder”. Há, também, candidaturas que condenam esse tipo de financiamento – acredite se quiser……..

Pois bem, no atual contexto nacional, pertencer à cúpula partidária de uma determinada agremiação política, seja ela considerada pequena, média ou grande, do ponto de vista de vantagem financeira, passou a ser o sonho de consumo dessa turma engajada nesse grande “negócio” chamado política.

No outro lado do balcão, candidaturas aspirantes a um assento na Câmara dos Deputados, sobretudo às femininas,  são tratadas como prioridade, face às determinações previstas em Lei.

Aumentar a  bancada federal dos partidos políticos e, consequentemente,  abocanhar um  pedaço maior do recheado “bolo eleitoral”, convenhamos,  não é uma das tarefas mais fáceis, isto é:  carece de muita engenharia,  trabalho, ousadia e experiência.

Na Vitória de Santo Antão, por exemplo, nesse pleito, é visível o aumento das candidaturas com DNA antonense. Temos pelo menos 4 postulações com mídia  na rua: Iza Arruda, Cristiane Querálvares, Hérika Araújo e Josias da Saúde.

Jogando na “série A”, por assim dizer, Iza Arruda, no ano em curso (2026),  concorre à reeleição pelo MDB. Da cúpula do seu partido, concretamente, chegou (até agora)  98,83%  (R$ 2.850.000,00) dos recursos disponíveis para sua campanha. Lembremos que o teto de limite de gasto para uma campanha à Câmara federal por Pernambuco  é de R$ 3.176.572,53.

Em todos os cenários, a deputada Iza Arruda é a principal aposta do seu partido no estado. Mesmo repetindo a boa votação (2022)  e até conseguindo ampliar, em 2026, poderá enfrentar algum tipo de dificuldade para o sucesso eleitoral,  em função do desempenho das outras candidaturas da sua chapa.

A principal aposta do PSD (2026)  na Vitória de Santo Antão, partido da atual governadora Raquel Lyra, que concorre à reeleição, foi  na esposa do ex-prefeito Aglaíson Júnior e mãe do atual deputado estadual  e candidato à reeleição, Aglaílson Vitor, Cristiane Querálvares. 

Dos cofres do seu partido, já chegou R$ 900.000,00 (novecentos mil reais), que corresponde a 94,47% de tudo que já foi arrecadado pelo sua campanha até aqui. Possivelmente, a  mesma dará uma boa contribuição à chapa do partido da governadora.

No contexto das candidaturas ideológicas e representando grupos segmentados, a produtora cultural Hérika Araújo é um bom exemplo daquilo que o financiamento público das campanhas eleitorais pode proporcionar ao amadurecimento das políticas públicas e ao conjunto do contexto  democrático..

Qualificada e preparada pela vivência prática na implementação das políticas culturais, lastreada pela formação acadêmica, hoje, filiada ao partido AVANTE, Hérika já foi contemplada com R$    225.000,00 (duzentos vinte e cinco mil reais) do Fundo Partidário do seu partido. Ou seja: 100% dos seus recursos disponíveis, até aqui. Amadurecida na labuta prática da política, está disputando a sua 4ª eleição.

Na qualidade de “novo filiado” ao partido PODEMOS o ex-vereador Josias da Saúde, em 2026, optou por um movimento pouco convencional no ambiente político. Ou seja: “jogou fora” mais de 50% do seu mandato de vereador no parlamento municipal por uma “aventura” eleitoral, visando um assento no parlamento federal. Há quem diga que foi e será muito bem recompensado pelo movimento “fora da curva”. O problema é que em política o tempo futuro será sempre uma incógnita.

Do fundo partidário do PODEMOS  chegou, até aqui,  a quantia de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) para sua campanha, o que corresponde, até o momento, a 100% dos recursos recebidos.

Pela ousadia política do, agora, ex-vereador Josias esperava-se,  dele,  uma campanha mais arrojada e com bastante visibilidade  política,  aqui em Vitória. Algo que não aconteceu, até o presente momento. Se acreditou,  cegamente, nos espaços e nas promessas dos  “Liras” e dos “Gouveias”, possivelmente,  após o pleito,  irá se arrepender.

Para concluir, realcemos que a nossa cidade, Vitória de Santo Antão, se configura num dos colégios eleitorais mais importantes do interior de Pernambuco, com pouco mais de 100 mil  eleitores inscritos. Por aqui, para federal, além das candidaturas “da terra”, haverá de ter uma “invasão” de candidaturas, sobretudo dos chamados votos de “aquário” das denominações evangélicas. É a “caça”  dos votos para o fortalecimento  dos partidos, visando a “engorda” do fundo eleitoral futuro, isto é: planta-se hoje, para se colher nos próximos 4 anos…..

1ª Edição Corrida e Caminhada São Vicente…….

No domingo (20), por volta das 6h, foi dada a largada da 1ª edição da Corrida e Caminhada São Vicente, promovida pela Paróquia de São Vicente de Paulo, localizada no bairro do Maués, aqui em Vitória. Após o percurso de 6km e 3km, corrida e caminhada, respectivamente, os participantes receberam medalha de participação e foram recepcionados com abundante café da manhã. Vamos correr……..

Em Vitória, disputa por um assento na ALEPE segue “pegada”!!!

Com histórico positivo em ocupar vários assentos na ALEPE, nas  mesmas legislaturas e por décadas consecutivas, Vitória de Santo Antão, em 2026,  ao que parece, manterá escrevendo esse capitulo no mapa da geopolítica pernambucana.

Sem nenhum demérito a outras candidaturas ou mesmo outros municípios, atualmente,  temos 3 deputados concorrendo à reeleição – Henrique Filho,  Joaquim Lira e Aglaílson Vitor. 

Na categoria de “não detentores de mandatos”, mas com viabilidade eleitoral, temos:  André Carvalho, Socorrinho da APAMI e Túlio Arruda.

Segundo previsões mais otimistas, apontadas por alguns  “cientistas políticos populares” de plantão, poderemos, nesse pleito, em função dos arranjos eleitorais e  partidários, ao abrir as urnas,  alcançarmos o número de 5  parlamentares eleitos,  com  domicilio eleitoral antonense.

Numa previsão mais pessimista, por assim dizer, segundo esses mesmos “cientistas”, poderíamos encolher nossa representação na ALEPE para apenas 2 cadeiras.

Das três candidaturas que nunca ocuparam uma cadeira na ALEPE, a vitória eleitoral e política de André ou Socorrinho, indiscutivelmente, teriam  a capacidade de  influenciar fortemente o pleito municipal de 2028. Alteraria a configuração das forças do tabuleiro político local.

Observaram, também, que a postulação de Túlio Arruda, independente de êxito eleitoral, enfraqueceu o projeto de reeleição do deputado Joaquim Lira.

Em ato contínuo, vencendo ou não em 2026, o Joaquim Lira, em função da possível diminuição  de sufrágios  no seu principal reduto,  sairá desidratado, visando   o seu projeto para 2028, ou seja: disputar a prefeitura da Vitória como candidato “natural”. Com efeito,  ficará  muito mais dependente das “bênçãos” e da boa vontade do atual prefeito Paulo Roberto, que hoje “encena” um racha e uma briga com os “amarelos”.

De olho nesse cenário futuro e com boas chances de emplacar a reeleição, o deputado Vitor segue, segundo comentários, com “um olho no padre e outro na missa”, ou seja: refuta briga e racha verdadeiro no grupo político de  Elias/Paulo,  com medo de    perder o status de principal opositor.  A tão desejada polarização poderia mudar, mesmo que fosse um projeto “montado”. Nesse caso, não custa nada lembrar as palavras de uma velha raposa política que dizia:  “em política, até as brigas são combinadas”. 

No geral, a vitória eleitoral nas urnas de 2026 dos nossos “legítimos representantes”,  tem a capacidade  de ratifica espaço de poder e visibilidade política para os que lutam por um lugar ao “sol” na terra dos altos coqueiros. Mas, lembremos, que  a disputa pela maior votação no reduto da Vitória de Santo Antão, definirá, em parte, os rumos da sucessão municipal de 2028. Segue o jogo….

STF e as desculpas da ministra Cármem Lúcia.

Nas mais variadas plataformas de comunicação o conteúdo segue na  mesma direção, isto é:  O sangramento do STF.  No contexto, de alento, apenas as desculpas à Nação, sublinhadas pela Ministra Cármem Lúcia.

Para abrandar nas palavras, eu diria que  é desestimulante testemunhar, mesmo que seja na condição de denuncias,  que magistrados e respectivos familiares são recebedores de vantagens indevidas. Isso é uma traição aos princípios que norteiam o sistema judiciário porque apenas a dúvida já  fere a  sua essência, a sua razão de existir,  ou seja: fere o sentimento justiça.

Desentranhar de uma sociedade que já elevou o sentimento de que “devemos levar vantagem em tudo”, a pratica corrupta, sobretudo quando os maus exemplos estão acontecendo no andar de cima,  torna essa batalha ainda mais longa e penosa.

Se é que podemos enxergar uma luz no fim do túnel, dessa tenebrosa passagem que envolve a nossa supre corte, poderíamos dizer que pelo menos os fatos foram divulgados, até porque não existe encaminhamentos saneadores  para problemas que não se toma conhecimento. Ao contrário disso, há perpetuação. Segue o jogo….

Vida Passada… – Marquês de Itanhém – por Célio Meira.

Manuel Inácio de Andrade Souto Maior Pinto Coelho nasceu em Marapicú, no Rio de Janeiro, no dia 5 de maio de 1782. Viu o Brasil-colônia, o Brasil-reino, assistiu à independência de sua pátria, e morreu em 1867, quando governava o monarca que,  vinte e oito anos, ainda era seu querido tutelado, pela graça de Deus e por mercê dos homens.

Teve, Manuel Inácio, na jornada feliz e demorada da vida favores e honrarias do poder público. Foi criatura amada da Casa bragantina. Quando D. Pedro I recebeu a coroa de Imperador do Brasil, estava Manuel Inácio, conta o historiador do “Galeria Nacional”, entre aqueles que o aplaudiram e o veneraram, ostentando a espada e os galões de alferes-mór.

Pertencia à família numerosa dos cortezãos da monarquia. Conquistou, ainda moço, a poltrona de senador do Império. Essa poltrona vitalícia era o sonho dourado dos políticos e dos estadistas da velha monarquia. Era a glória na carreira pública. E Manuel Inácio a obteve pelas urnas livres da província de Minas Gerais e pela “vontade” do Imperador.

Aos 64 anos de idade, representou, conta um biógrafo, o rei D. Fernando, de Portugal, numa solenidade nacional. Assistiu, nessa época, à cena festiva do batizado da princesa Izabel, a formosa garotinha de sangue azul que, com o andar dos tempos, assinou a lei gloriosa da redenção da raça negra.

Exerceu, esse fluminense ilustre, a tutoria do príncipe Pedro, a partir de 1833, quando José Bonifácio, perseguido pela política, deixou essa missão honrosa. Inteligente, habilíssimo, Manuel Inácio cumpriu, admiravelmente, sua tarefa. Se não transmitiu, ao tutelado, grandes conhecimentos nas ciências e nas letras, teve a finura de conquistar, para sempre, o coração, nessa tutoria. E Cristiano Otoni, malicioso e perverso, o considerava “um cortezão inepto, que se limitava a adorar o seu imperial pupilo”.

Morreu,  Manuel Inácio, aos 85 anos de idade. Foi estribeiro-mor. Teve, na verdade, esse grande do Império, honras que levaram à história.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

Simplício de Holanda – por José Miranda, jornal O Lidador, 3 de novembro de 1956, editado por Walmar Andrade.

Ninguém na Vitória de Santo Antão da velha guarda desconhece a expressão que teve na vida política da cidade, no Império e na primeira República, os Holanda Cavalcanti.
Família de tradição não só socialmente e não só na esfera da cultura, como também na política. Dela saíram expoentes literários e artísticos, algumas das quais em registros imortais na história da nossa cultura.
Poetas como Olinda Cavalcanti e Agostinho de Holanda. Martha de Holanda, sem deixar rimas, sem nunca ter feito um verso nem mesmo nas suas mais afetivas elocubrações de namorada. Todos conhecemo-la, na sua vida intelectual, autêntica poetisa, pela melodia e ritmo das produções de letras.
Família de tradição na cultura e na política também.
O antigo regime não passou sem o concurso dos Holanta Cavalcanti nos partidos Conservador e Liberal, dois que eram apenas. Atuavam tanto nos pleitos, eleições de vida ou morte como se diz à boca das urnas, quanto nos cargos públicos a cujos desempenhos lhes confiavam os governantes.
Contam-se, ainda com pesar, os tristes acontecimentos eleitorais. Não só da Hecatombe do Rosário, página das mais lúgubres e vergonhas dos anais políticos de Vitória, mas também da eleição para o primeiro prefeito republicano, em que eram candidatos José Xavier de Morais e José de Barros de Andrade Lima. O primeiro vindo das hostes conservadoras e o segundo, do Partido Liberal.
Há nessa história, que cada vitoriense daquele tempo conta a seu bel prazer e lhe dá as tintas de acordo com o seu modo de ver, um bocado de influência de um Holanda Cavalcanti [Alexandre José Maria de Holanda Cavalcanti, avô de Simplício, eleito subprefeito de José de Barros de Andrade Lima em 1892]. Influência orientada, naturalmente, pelo interesse de ser útil à terra, dotando-a do governo que a achava merecer.
A Revolução Dantista, que se operou em Pernambuco em fins de 1911, encontrou a família Holanda Cavalcanti coesa em torno do seu chefe e amigo aqui no município, Antônio de Melo Verçosa [marido de Emiliana de Holanda Leite]. Nenhum deixara o seu posto de honra nas fileiras do marretismo.
Nestor de Holanda [subprefeito de Vitória em 1903] era, nesse tempo, membro da família atuante na vida partidária local. Uma espécie de ponto de apoio. Bem relacionado de maneiras agradáveis, sugestivas, dando-se com todos. Fazia da sua Farmácia Popular um centro de reunião onde se encontravam desapaixonados políticos dessa e daquela facção, desse e daquele lado.
Se Antônio de Melo Verçosa tinha, ali na calçada da farmácia, o tabuleiro de gamão sobre os joelhos, pelas tardes dos dias úteis, não menos acontecia com José de Barros de Andrade Lima.
Enquanto Antônio de Melo Verçosa jogava gamão com Nestor de Holanda ou com qualquer outro político ou comerciante, aperuava (como se costumava dizer) de lado, fumando o seu charutinho, dizendo as suas piadas, as suas humoradas, Simplício de Holanda.
Eu o conheci de perto em 1920. Tinha uma loja na rua do Barateiro, uma loja de fazendas, imprensada entre as oficinas e a redação de O Lidador e o Armazém do Anjo, uma casa de secos e molhados.
Os sábados não lhe pertenciam: os fregueses tomavam-lhe todas as atenções. Nem mesmo a Quintino de Itamatamirim, seu amigo e parente, e com quem fazia política, podia prestar a atenção devida.
Aos domingos, ia à feira de Pombos, onde mascateava. Nos dias úteis, enquanto arrumava as prateleiras, dispunha as amostras e despachava algum freguês que aparecia, fazia política.
O velho comerciante do Barateiro discutia, e com que autoridade!, tanto em rodas na porta de Onofre Teixeira ou Luiz Porto, quanto na porta de Antonio de Mello Verçosa.
Quantas vezes vi-o atravessar a rua da sua loja para a rua da loja Relógio Grande, de seu pai Vicente Maria de Hollanda Cavalcanti, com a boca cheia d’água, de bochechas coculadas.
Era que não lhe convinha falar no momento. Conversador como ele, cheio de conhecimentos das coisas como ninguém, só a boca cheia d’água o salvava das interpelações, dos bisbilhotismos por onde ia passando.
Vitória tem atravessado uma boa porção de crises políticas na república, entre os quais se destaca a de 1926, quando no governo do Estado estava o nosso conterrâneo de saudosa memória José Rufino Bezerra Cavalcanti [Governador de Pernambuco de 1919 a 1923].
No crédito que ao marretismo abriu o governo Manuel Borba, abrindo com o dantismo, quantos dos fiéis à oposição, cansados ou desencantados – os Sebastianistas desagregavam-se da sua resistência de crenças, de esperanças, andavam fora dos apriscos primitivos, ou de princípios!
No pleito municipal de então, o governador José Rufino Bezerra Cavalcanti não se inclinava a reconhecer o direito do legitimamente eleito. A questão do veredito das urnas fez não só retornar tudo aos seu lugares, como acender, como nunca, os morrões.
Não é possível se ir mais longe, em embirras, em perseguições, em hostilidades.
A cidade passou seis ou sete meses sem iluminação, sem limpeza pública, sem nada. Como sem pagar impostos e nem nada receber o funcionalismo, uma vez que os cofres estavam vazios. Viveu Vitória meio ano à toa.
Dois partidos. Um do governo, do manda quem pode. Outro, o da oposição. E a luta persistia. Com a oposição estava a razão, o direito. Com o poder, a força. E nunca o direito submeter-se-ia à força ante a terra ainda independente, ciosa dessa sua qualidade ante o direito de força.
Um terceiro partido fora criado. E teria ele a virtude de intermediário, de superar as dificuldades de um acordo, ou mesmo de se antepor sobre todos os outros.
Coube a Simplício de Holanda Cavalcanti as bases, os alicerces e vigas mestras do edifício político. Quintino, como vários outros que constituíam uma espécie de dissidência do verçosismo, constituíam o estado maior.
Os arautos da nova entidade rumavam, um dia, ao solar do Governador José Rufino Bezerra Cavalcanti. O governador recebe-os no seu velho bom humor e escuta todos com atenção, senhor das atualidades político-partidárias da terra onde nascera e senhor das manhas dos homens e das coisas.
Caboclo da aldeia, o honrado Governador do Estado, pilheriando, pôs no partido o nome de Retame. Ou batizou-o, já que o partido ainda não tinha ido verdadeiramente à pia para a água benta e os santos óleos.
Retame é no banguê o resíduo ou a borra do açúcar, ou ainda o açúcar de qualidade inferior. Para o novo partido, na sua crítica, nome mais adequado encontrava o experimentado agricultor e político que governava o Estado.
E o Remate, o açúcar melaço, não suporta a umidade. Estava a nova organização político-partidária destinada a desaparecer nas primeiras manifestações do inverno da indiferença.
Fora partido de banguê – parece que o governador vira isso. E daí o nome com que o batizara, ou então tomara-o como restos de outros.
Simplício de Holanda, longe de se molestar, ria-se a bom rir, tanto com o batismo do partido, como pelas humoradas, alegres, do velho conterrâneo, estadista de renome que era!
A Revolução de Trinta não o encontrou mais [Simplício faleceu em 16 de julho de 1926, aos 46 anos, dois anos após a morte de sua esposa Elvira]. A morte arrebatou-o bastante cedo, quando muito esperava, ainda, de sua inteligência, de sua atividade, de sua sabedoria política de homem do interior. A sua Vitória!
Além de comerciante e político, fora jornalista. Na direção de O Lidador esteve dois anos e meses, de 1924 a 1926.
Político na ampla acepção do termo, Simplício de Holanda não deixou substituto ou até agora não teve ainda [os dois filhos, Lamartine e Antão, tinham 16 e 14 anos quando ficaram órfãos de pai e mãe]. Da política de aldeia conhecia-lhe as manhas e artimanhas.]
Edição: Walmar Andrade. 

UM CERTO DOMINGO – por Sosígenes Bittencourt.

Um certo domingo, corria o ano de 2010, eu assistia a uma reprise do Conexão Internacional, quando apareceu o jornalista e escritor carioca Carlos Heitor Cony, sendo entrevistado por Roberto D’Ávila.

Engraçado, disse simpatizar os cínicos, desde Sócrates a Machado de Assis e Jean-Paul Sartre. Disse que há uma diferença entre o escritor e o cronista. O escritor vive no fundo do mar, e o cronista, no aquário. O escritor tem de traçar seu caminho para ser notado, o cronista vive na vitrine. E acabou citando uma frase de Rabelais: “Não tenho nada, devo muito, o resto dou pros pobres.”

Ainda vi, neste programa, o físico Marcelo Gleiser dizer que “A terra pode ficar perfeitamente feliz sem a gente, mas a gente não vive sem a terra.”
Dominical abraço!

Sosígenes Bittencourt

Em evento, AVLAC ratifica o legado de José Tiago de Miranda

Aconteceu na manhã do domingo (13), no Salão Nobre do Instituto Histórico da Vitória, mais uma reunião ordinária da AVLAC – Academia Vitoriense de Letras, Artes e Ciência. Entre outros assuntos pautados, o ponto alto do encontro foi a “defesa acadêmica” do professor Teófilo José de Sousa Costa Junior.

Na ocasião, o mesmo realçou, defendeu e ratificou o legado do seu Patrono José Tiago de Miranda. Nascido em 09 de junho de 1891, no Sitio Torres, o antonense José Miranda marcou época em nossa cidade.

Dedicou-se, José Miranda, ao mundo das letras. Professor conceituado,  atuou e coordenou, por décadas, o ensino escolar na Vitória de Santo Antão. Poeta na essência, assumiu  o  jornalismo como missão de vida. Foi através do jornal “O Lidador” que se imortalizou  na sua terra e protagonizou, na sua época,  uma das páginas mais bonita da história do jornalismo interiorano do Nordeste brasileiro.

Com 86 anos de idade, o seu filho caçula, Péricles Miranda, hoje, radicado há décadas na cidade de Vitória, capital do estado do Espirito Santo, representado a família, realçou passagens marcantes da vida do pai. Dentre outras revelações, disse: “meu pai sacrificava o orçamento da família para investir no jornal …..” Na ocasião, também elencou momentos de muito  respeito, carinho e exemplos, emitidos por seu pai, exemplos esses, que nortearam a vida de toda família.

Além de um livro,  a família do professor José Miranda, após o evento,   ofertou  um lanhe a todos os acadêmicos e convidados.

SOBRE A BREVIDADE DA VIDA – por Sosígenes Bittencourt.


O ser humano é um animal sem solução. Ele tem sempre a impressão de que há algo de errado consigo mesmo. Sobretudo quando submetido à angústia de que a morte é o horizonte da vida.
Todo ser humano tem um livro escrito na memória que vai folheando, folheando… Às vezes, desprende um aroma. É o passado intrometendo-se na vida da gente, o passado sempre presente. O passado que se alonga, e o futuro que vai se tornando cada vez mais curto.
A brevidade da vida relembra o poeta romano Horácio (65 – 8 a.C.), agoniado com a fugacidade do tempo: Eheu! fugaces labuntur anni!: Ai de nós! os anos correm céleres.
Tudo que nos mantém vivos, nos mata. Sem o oxigênio, morreríamos; por causa do oxigênio, morreremos. Sem colesterol, morreríamos; por causa do colesterol, morreremos. Se não comêssemos, morreríamos; porque comemos, morreremos. Tudo que nos faz viver corrói a vida. Tudo que auxilia na vida, auxilia na morte.
O filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976) referiu-se ao tempo de vida: Um minuto de vida é idade suficiente para morrer.
Efêmero abraço!

Sosígenes Bittencourt