Chuvas e dividendos políticos eleitorais…….

Em ano eleitoral e com os “times” praticamente definidos – João X Raquel – tudo é motivo de agenda e postagens com conteúdo, eminentemente, político. A bola da vez foram os efeitos do grande volume de chuva que desabou em Pernambuco. Todo mundo querendo “mostrar serviço”….

É sempre assim. Pouco ou quase nada  se faz no quadrante da prevenção, justamente para serem “bonzinhos”,  na piedosa ação do acolhimento aos desalentados e desabrigados. Dizem alguns entendidos que a segunda opção é sempre a mais rentável eleitoralmente falando…

Na nossa Vitória de Santo Antão, muita chuva, mas sem maiores transtornos. Apesar do prefeito Paulo Roberto, através das suas redes sociais e nos canais oficiais da prefeitura, realçar movimentação e preocupação, na outra ponta, internautas das mais diversas localidades reclamavam  e faziam maior volume de  “barulho”,  na direção contrária. Ou seja: denunciando falta de compromisso e efetividade da gestão municipal com as comunidades.

Por mais que os gestores, em situações de alagamentos,  procurem justificar que “choveu demais” ou “muito acima da média” naquela ocasião, fica sempre a pergunta no ar: e se soubessem, com antecedência, que a chuva seria naquele volume,  o que teriam feito, com antecedência, para atenuar os seus efeitos?

Estamos no inicio de maio. As chuvas estão apenas começando. Normalmente,  o “teatro politico” com as chuvas funcionam, mas em alguns casos pode  complicar o meio de campo eleitoral.. Pelo que sei, São Pedro não se mete e não tem preferência no varejo da política eleitoral…..

HOJE É DOMINGO – por Sosígenes Bittencourt.


(Parlenda)
Hoje é domingo
Pede cachimbo
O cachimbo é de barro
Bate no jarro
O jarro é de ouro
Bate no touro
O touro é valente
Bate na gente
A gente é fraco
Cai no buraco

O buraco é fundo
Acabou-se o mundo

Obs: Nesta canção de roda do tempo de eu menino, pede cachimbo significa pede descanso.
Como somos, meio gente, meio barro, sem cachimbo, fuma cigarro. Eu, não, pelo pigarro.
Enfisematoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Aluísio Xavier, Maria do Carmo, uma “Enciclopédia” – por Marcus Prado.

Uma leitura do livro “Enciclopédia como Modelo”, de Otto Neurath, leva-nos a uma reflexão sobre o conhecimento humano, aos meios da informação e o papel histórico das enciclopédias na formação da cultura ocidental. Conduz, igualmente, à importância desfrutada pela “Stanford Encyclopedia of Philosophy”, que reúne estudiosos de filosofia e disciplinas afins de todo o mundo para manter uma obra de referência atualizada — uma das indicações mais credenciadas sobre o tema. Isso sem falar da crescente reputação da Britannica como baluarte de erudição, agora em edição digital.

Tais lembranças evocam à memória, o interesse e o gosto do saudoso mestre da Faculdade de Direito do Recife, Aluísio de Melo Xavier. Magistrado de referência e prestígio entre seus pares, Aluísio tinha o hábito audacioso e paciente de colecionar dicionários raros e enciclopédias famosas. Buscava o que havia, em seu tempo e alcance, de mais confiável nesse meio de pesquisa sobre todas as coisas e épocas. Era como possuir as chaves de todo o saber humano dentro da própria casa, em uma era ainda distante das conquistas digitais. Não se tratava apenas de um simples hábito ou do prazer de colecionador; Aluísio era um apaixonado pela investigação literária e pelo saber. Sua biblioteca não era composta apenas por obras de bibliofilia ou de sua especialização jurídica. Os grandes clássicos da literatura, de variados gêneros e épocas — cerca de três mil títulos —, tomavam por completo o espaço de um anexo em sua casa, no bairro recifense do Curado.

Nas muitas conversas que tivemos (éramos conterrâneos de Vitória de Santo Antão), a filósofa Maria do Carmo Tavares de Miranda revelou o seu apreço por uma coleção especial: a “Biblioteca Internacional de Obras Célebres”. Seus 24 volumes são conhecidos pela riqueza gráfica, capas em relevo, dourações e ilustrações (gravuras e fotografias de autores). A coleção transformou o livro em um objeto de desejo, refletindo o gosto da Belle Époque. Tamanha a sua importância que até Carlos Drummond de Andrade dedicou um longo poema à obra. Maria do Carmo guardava em seu gabinete de estudo a coleção completa dessa enciclopédia, um projeto editorial até hoje não superado em nosso idioma. (Curioso notar que, embora publicada em português, a obra nunca foi editada em Portugal).

Fui seu leitor; conheci ali as primeiras traduções em nosso idioma de Tennyson, Wordsworth, Thomas Moore, John Whittier e James Lowell. Descobri também versões de outros mestres: os espanhóis Garcilaso de la Vega, Luís de Góngora e Francisco de Quevedo, além dos poetas de língua inglesa Coleridge, Shelley, Elizabeth Browning, Robert Browning e Rudyard Kipling. Compilada em 1899 na Inglaterra, a edição original da “Biblioteca” traz uma panorâmica da poesia em inglês do século XIX. Na versão lusófona, a coleção inclui textos de autores brasileiros, como Machado de Assis. Foi nela, inclusive, que o nome de Fernando Pessoa apareceu pela primeira vez como tradutor. Há pesquisa do professor Arnaldo Saraiva (Universidade do Porto), de tantos amigos no Recife, que revela a presença do poeta português também como autor, sem assinatura, de textos de apresentação. A Biblioteca não foi apenas uma coleção de livros; foi um marco cultural na virada do século XIX para o XX.

Marcus Prado – jornalista

Vida Passada… – Domingos Ferreira de Brito – por Célio Meira.

O pernambucano Domingos de Lima Ferreira de Brito, de família nobre, nasceu em 11 de abril 1829, na cidade de Recife. O avô paterno, informa um historiador, teve a honra de ser secretário do Marquês de Pombal, eminente português, e o pai, Antero José Ferreira de Brito, o barão de Tramandaí, político e guerreiro, pacificou a província de Pernambuco, em 1825, no 4º gabinete da Regência do Marquês de Olinda.

Doutorou-se, Domingos de Brito, em medicina, no Rio de Janeiro. Rico, inteligente, atravessou o atlântico, e , nas escolas e nos hospitais da Europa, ouvindo os sábios, imprimiu, aos seus conhecimentos, novas diretrizes. E regressou à Pátria.

Desencadeada a tremenda guerra do Paraguai, o jovem facultativo, que se especializara em cirurgia, partiu, imediatamente, conta um historiador, no rumo dos acampamentos, e, durante meses e meses, exposto aos perigos, nas barracas e trincheiras, e nos hospitais de sangue, levou, aos feridos, os socorros da ciência de que se fizera amigo e sacerdote.

Terminada a carnificina, em que heróis e bravos se imolaram, regressou o ilustrado recifense, à Côrte, continuando a servir à Nação e ao Imperador. Exerceu, apesar de médico, o cargo de delegado de polícia, em Petrópolis, e nessa linda terra, onde D. Pedro I se fez, um dia, proprietário, Domingos de Brito se sentou na cadeira de vereador, na Câmara Municipal. Foi, dilatados anos, médico do Corpo Diplomático, acreditado, na Côrte do 2º Império.

Botânico notável, possuindo, no dizer do ilustrado historiador do “Galeria Nacional”, valiosas coleções de plantas exóticas”, pertenceu, o nobre pernambucano, à família dos cientistas brasileiros. E, na verdade, ele era “homem de vasta cultura intelectual”, possuindo, em elevado grau, “independência de caráter”. Era, também, “extraordinariamente” caritativo. Morreu, em 1908, em Petrópolis, na famosa terra do frio, das serras e das ortênsias. Honrou o nome do pai, que se ilustrou na guerra, e na administração pública. E, o nome de Pernambuco.

É digna, sua memória, das homenagens do Recife.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio Meira

MAIO AZUL E BRANCO – Instituto Histórico da Vitória.

Diversos acontecimentos ocorreram em nosso torrão durante o mês de maio.

– 28 de maio de 1812, instalação oficial da Vila de Santo Antão;

– 06 de maio de1843, elevação da Vila de Santo Antão à categoria de cidade,   Cidade da Vitória;

– 20 de maio de 1833, criação da Comarca de Santo Antão;

– 22 de maio de 1834, chega o primeiro Promotor à Vila de Santo Antão.

Na sessão ordinária de 30 de junho de 2019, o consócio Cristiano Vasconcelos Barros, o Pilako, sugeriu que o mês de maio fosse denominado, MAIO AZUL E BRANCO. Os presentes acataram a sugestão.

Portanto amanhã tem início: MAIO AZUL E BRANCO e o antonense tem mil razões para festejar..

Instituto Histórico e Geográfico da Vitória.

Será que a cabra vai comer o cartão do senador Humberto Costa?

A vida em sociedade é dinâmica e estamos todos, no transcurso da nossa particular  existência,  sujeitos aos altos e baixos. Entender essas variáveis é condição para uma vida mais serena e equilibrada. Muitas vezes, é na dificuldade que se aprende o caminho para o sucesso.

Já na atividade política profissional, ambiente insalubre por natureza,  é possível dizer que os ciclos individuais estão intimamente atrelados às conjunturas. E nesse contexto, olhando para o desenho que se apresenta para o processo eleitoral de 2026, é que imaginamos  que o “tempo” do atual senador Humberto Costa, na “Casa Alta”, não será renovado.

Mesmo as pesquisas de opinião pública,   até aqui, lhe “assegurando” um honroso 2º lugar – lembrando que teremos duas “cadeiras” em disputa –  é possível imaginar que sua reeleição é algo improvável.

Na qualidade de observador da cena política,  identificamos que ele – Humberto – já perdeu o primeiro embate. Ou seja: não conseguiu, antecipadamente,  “mexer” no tabuleiro para rifar a pré-candidatura da ex-deputada Marília Arraes –  valendo salientar que as candidaturas  ainda serão consolidadas em convenção, mais adiante.

Eleição para o senado com duas vagas em disputas, ser a segunda opção da maioria do eleitorado é um grande ativo. Ao que parece, a expressiva maioria do eleitor pernambucano deseja ver o atual senador pernambucano, Humberto Costa, fora do senado. Possivelmente lhe faltarão votos,  para “abocanhar”  uma das vagas.

Nas mais diversas rodas de conversas políticas ninguém duvida do raio de influência do atual senador Humberto Costa, mas, também é consenso  que há, centrado na sua imagem, uma espécie de representação de tudo que não presta na política.

Segue jogo….Quem vai decidir é povo de Pernambuco…..

CANTADA DE AMOR DO SEU MANÉ OU CONVERSA MOLE PRA BOI DORMIR – por Sosígenes Bittencourt.


A lua vinha alumiando por detrás da serra. As tartarugas pulavam de galho em galho.
Um negro nu, com a mão no bolso, lia um jornal sem letra de cabeça para baixo.
Se eu pudesse amá-la-ia, mas, como não posso amar ela, meu coração por ti gela.
Nada mais do seu
Bom Né.
Enganoso abraço!

Sosígenes Bittencourt

Professor Rogério – atleta homenageado da 5ª edição da Corrida da Vitória.

Na qualidade de atleta homenageado da 5ª edição da Corrida da Vitória,  o Professor Rogério, em vídeo, destacou um pouco da  sua trajetória: sua origem, seu interesse por esporte, sua  chegada à Vitória e seu legado,  como  orientador e incentivador de várias gerações de atletas.

Veja aqui a primeira parte do documentários: 

https://www.instagram.com/reel/DXZdbzsACOM/?igsh=cXNwNnd1Ym9uNWJp

 

Colóquio: o vigor e a excelência de uma revista – por Marcus Prado.

Poucas publicações culturais em nosso idioma conseguem manter o vigor, a excelência temática e a relevância por tantas décadas como a revista Colóquio/Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa). Desde a sua fundação (1971), tem sido o ambiente onde os maiores intelectuais, poetas e ensaístas de Portugal, Brasil e demais países de língua oficial portuguesa se encontram.

O rigor e a curadoria singular dessa publicação não apenas acolhem textos; estabelecem cânones, em um processo de constante tensão entre a tradição (o desejo de imortalizar o legado) e a renovação (a necessidade de revisar padrões para incluir novas perspectivas e sensibilidades). O cuidado com a edição, a profundidade dos ensaios, a exigência na seleção dos artigos e as ilustrações temáticas — não restritas à capa — garantem que o leitor tenha acesso ao que há de mais refinado na reflexão sobre a literatura, não apenas a de Portugal.

Um conjunto de circunstâncias favoráveis reuniu-se para fazer desta edição um número que, sob todos os títulos, pode-se dizer histórico. Muitos autores ligados ao ambiente acadêmico propuseram-se a comentar a importância cultural da revista. José Rodrigues de Paiva, autor de uma tese de doutorado sobre a ficção de Vergílio Ferreira, tem sido um deles e um dos mais brilhantes.

“Acontece que a Fundação ter programado para 2025 a exposição Complexo Brasil, com curadoria de José Miguel Wisnik, Milena Brito e Guilherme Wisnik; nada mais oportuno do que inserir, nesse contexto, o número da Colóquio correspondente a setembro de 2025. […] Assim, inserida no conjunto de circunstâncias que resultaram em grande visibilidade da cultura brasileira em Portugal, a revista foi lançada no âmbito da referida exposição. Repare-se que não é por acaso que a publicação traz como rubrica editorial a expressão ‘Este Brasil’.”

Por força de uma feliz coincidência, nos diz Rodrigues de Paiva, “esta edição do periódico recebeu o número 220. Sendo da última de 2025 (correspondente ao quadrimestre junho-setembro), ela encerra não somente mais um ano de atividade editorial, mas fecha os primeiros 25 anos deste século. Como o número 22 — formado pelos dois primeiros dígitos da edição — é muito representativo para o Brasil, tanto do ponto de vista da história política quanto da literatura, a revista da Gulbenkian presta sua homenagem à independência política do país (1822) e, simultaneamente, celebra sua independência estético-literária, simbolizada pelo ano de 1922 com a Semana.”

Estes são os motivos que fazem da edição 220 da Colóquio um marco: trata-se, junto à exposição Complexo Brasil, de uma homenagem da Gulbenkian ao Brasil-político e ao Brasil-cultural. Realiza-se um “balanço” dos valores da cultura brasileira centrados no primeiro quarto do século 21, sem perder de vista os nomes que os antecederam.

Trata-se, finalmente, do que parece ser o número inaugural de uma nova fase, agora denominada simplesmente Colóquio (sem a especificação de Letras), sugerindo um horizonte editorial mais amplo e abrangente de todas as artes. Por fim, não nos é fácil medir em poucas linhas todas as etapas, o alcance cultural dessa revista, a sua trajetória, desde o início, e o apoio à cultura literária do Brasil.

Marcus Prado – jornalista.

O Tempo Voa: Posse de Manoel de Holanda como primeiro presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Vitória

Posse solene de Manoel de Holanda como primeiro presidente do Instituto Histórico. A sede da instituição foi adquirida no primeiro ano de seu mandato. Na foto, o dirigente aparece ladeado pelo Juiz  de Direito Euclides Ferraz, promotor de Justiça Lauro Raposo, governador Agamenon Magalhães e ex-prefeito José Joaquim da Silva. Foto: “O SOBRADO DE SEU MIRO e outras crônicas” – Manoel de Holanda Cavalcanti – pág 110.

Reunião da Academia Vitoriense de Letras aconteceu no domingo.

Na manhã do domingo (19), aconteceu a reunião ordinária pública da AVLAC que marcou o inicio de um novo ciclo da instituição das letras antonense.

Sob o comando da nova diretoria, o encontro ocorreu pela primeira vez na nova sede, cujo prédio foi cedido pela atual gestão pública municipal, que fica localizado na Rua Rui Barbosa, bairro do Livramento.

Na ocasião, além da homenagem prestada  aos ex-presidentes da entidade e outras apresentações,  a presidente Christienne Marie Barnabé, na sua fala, realçou a sua alegria e determinação, visando avançar nas questões relacionadas às novas parcerias da AVLAC.

Ao final, um brinde e o tradicional corte de bolo, para celebrar auspicioso o momento.