“O Brasil será hexa de todo jeito”….

Faltando poucos dias para o início da maior competição futebolística do planeta – Copa da FIFA -, já é possível sentir um clima diferente no ar, sobretudo para os amantes do futebol.

De fato, se desprezarmos todos os interesses que giram na concepção do evento, a ideia de que a copa  do mundo “junta” os povos, as culturas e celebra o esporte, convenhamos, é algo animador, no sentido do crescimento civilizatório.

Antes da realização da 2ª copa no Brasil, ocorrida em 2014,  nutria um desejo de, um dia,  participar desse evento. Mas, após participação efetiva, de várias partidas,  em  solo pátrio, dei-me por satisfeito. Ou seja: contemplei minha curiosidade. Achei bastante interessante. Foi uma experiência gratificante.

Se estiver vivo, quando ocorrer a 3ª copa no Brasil, voltarei a participar. Mas não desejo mais, como antes, deslocar-me para outro país ou mesmo continente para vivenciar esse espetáculo. Talvez por não mais me considerar uma pessoa “ligada em futebol”.

Hoje, cotidianamente, sou uma espécie de “torcedor meia boca”. Aquele que apenas acompanha os resultados, sem quase nenhum envolvimento.

Mas independente de qualquer coisa, para o brasileiro de maneira geral, o futebol  será sempre  uma  “religião”  a ser incorporada. É cultural….

Curiosamente, ontem (1º), escutei uma expressão que chamou-me a atenção: “o Brasil será hexa de todo jeito”. Em seguida, veio a explicação: “serão seis títulos conquistados ou seis copas consecutivas sem vencer!!!”

José Edson imprimiu seu nome na galeria dos grandes atletas antonenses!!!

A vida não é fácil para ninguém. A história de cada um, cada qual sabe contar. No mundo mágico dos esportes, por exemplo, a superação é um ingrediente inexorável. Para vencer faz-se necessário lutar com todas as forças, muitas vezes,  buscando-as em  lugares que, inicialmente, nem se imagina possuir.

Pois bem, doravante, narrarei uma história de superação que ganhou tonalidade  domingo (31), refletida bem diante dos meus olhos.

Ainda não passava das 2h do domingo (31) quando o meu celular, tocando, acordou-me. Do outro lado,  o amigo atleta antonense José Edson.  Com voz  firme de quem já estava “aceso”, relatou-me variáveis de dificuldades para o seu deslocamento até a cidade de Olinda, na qual, assim como eu, estava inscrito para um evento de corrida de rua: Maratona Internacional de Olinda.

Não se tratava de uma prova rotineira: seria a sua primeira maratona. Ou seja: os seus primeiros 42km e 195 metros, justamente numa prova internacional. Vencida as primeiras dificuldades, viabilizamos, naquele momento, a resolução do deslocamento.

Juntos, ainda antes das 4h, chegamos ao destino. Detalhe: a largada estava marcada para acontecer às 4:30h. Além do escuro próprio do horário, a chuva ainda “jogava” mais dificuldade na aludida empreitada esportiva.

Após a largada, foquei no meu desafio. Comprometido comigo mesmo, planejei concluir aquela  meia maratona (21k e 100 metros) num tempo inferior a 2:30h. Algo que realizei com sucesso (2:27h).

Mas voltemos ao José Edson – também conhecido pelo carinhoso apelido de “Gui”.

Já com o dia claro, eis que,  após “voar” em um  percurso de 42km (média pace 4), percorrido em pouco menos de 2:50h, cruzou o pórtico da chegada, diante dos nossos olhos, o José Edson. Ainda sem poder falar e raciocinar direito, mediante ao esforço físico e mental demasiado, esboçou algumas palavras: “acho que fiquei em  terceiro”.

Já restabelecido, seu número foi chamado pelos autofalantes para comparecer à tenda da organização. Veio a confirmação: 2ª colocação geral na Maratona Internacional de Olinda: detalhe do feito: na primeira prova realizada pelo referido atleta nessa categoria: 42k.

No seu semblante reluzia  um universo de alegria,  que era  emoldurado pela principal característica dos verdadeiros vencedores, ou seja: humildade.

Naquilo que poderíamos chamar de “ficha técnica” do atleta aludido, posso dizer que o José Edson não é atleta profissional. Muito pelo contrário:  ele já tem 45 anos de idade, trabalha duro todos os dias no regime ‘CLT” e não goza  do acompanhamento necessário que os atletas competitivos – de alto nível – dispõem.

Para encerrar essas linhas, em que tributamos ao atleta antonense José Edson nossas melhores admirações e reconhecimento de HONRA AO MÉRITO, realçamos que nossa cidade é um celeiro de atletas “que se viram sozinho”. Certamente, em algum lugar, no tempo futuro, haverá de ter um espaço reservado aos talentos e o devido reconhecimento para esses verdadeiros guerreiros e guerreiras das tabocas.

Em tempo: na categoria Meia Maratona (21km), no feminino, nessa mesma prova – Maratona Internacional de Olinda – duas atletas antoneses – Michele e Elaine – compuseram o pódio geral, na 2ª e 4ª colocação, respectivamente.

Viva o 28 de maio: o dia da nossa autonomia!!!

Recentemente, no dia 06 de maio, nossa cidade festejou, com feriado, mais um ano da passagem de elevação à categoria de cidade, ou seja: éramos “vila” e passamos a ser “cidade”.

Pois bem, ao mergulharmos na historiografia local logo entenderemos que essa transformação (vila à cidade) não impactou, de maneira significativa, no cotidiano do lugar. Tratou-se, digamos assim, apenas de um título honorífico.

No meu modesto entendimento, na qualidade de estudioso da história local, acredito que  a data “ 06 de maio de 1843″  só ganhou essa relevância  toda no nosso calendário histórico por uma  coincidência do destino.

Explico:

Em 06 de maio de 1943, após exatamente um século da referida elevação (vila à cidade), na qualidade de prefeito, governava a cidade o Mestre José Aragão.

Conhecedor da história local, ele procurou “jogar tinta” nesse importante acontecimento (centenário), para comemorar com muita pompa,  e acabou tornando-o  maior do que na realidade ele o foi.

Com efeito, até hoje,  a cidade, os governantes e a Câmara de Vereadores  apenas reproduz essa data,  sem nunca haver procurado entender melhor os acontecimentos locais  a ela relacionados.

Explico novamente:

Hoje, quinta-feira,  28 de maio de 2026, marca,  exatamente, 214 anos da elevação da nossa então “Freguesia de Santo Antão” à categoria de “Vila de Santo Antão”. Esse acontecimento – Freguesia à Vila -, para o contexto da nossa linha do tempo, nesses 400 anos de história, foi, indiscutivelmente, o acontecimento que mais transformou  a vida da nossa  comunidade.

Foi a partir dessa mudança que deixamos de pertencer ao “Termo de Olinda”: seria hoje – mais ou menos –  como se fossemos  um distrito de Olinda.

Passamos a ter autonomia administrativa, isto é: cuidar da nossa arrecadação de impostos e aplica-los da maneira mais conveniente aos interesses locais. Em ato continuo, passamos a escolher os nossos legítimos representantes para a chamada Câmara Legislativa, algo só possível quando se chegava à categoria  de “vila”.

Nesse contexto, também abrimos espaço, já que a legislação prévia, para nossa autonomia jurídica: além de passamos a ter “juízes próprios”, passamos a ter cartórios e outros bancos de dados locais. Aliás, com a chegada da tão sonhada categoria de “vila” quase tudo na localidade se transformou, sob todos os pontos de vista.

Salve engano, o então prefeito José Augusto Ferrer de Morais, na sua 2ª gestão, ainda chegou a decretar feriado por ocasião de dia 28 de maio de 1812. Mas a “coisa”  não engrenou, digamos assim…

Assim sendo, daqui,  da minha tribuna eletrônica, intitulado de Blog do Pilako, levanto um “VIVA” especial  para o dia 28 DE MAIO.

Após a data da nossa fundação, 17 de janeiro de 1626, realço o  28 de maio de 1812 como o dia em que a terra desbravada por Diogo de Braga virou, definitivamente, um LUGAR AUTÔNOMO!!!

Vida Passada… – Padre Noronha – por Célio Meira.

No primeiro quartel do século XVIII, em 1723, nasceu José Manuel de Noronha, na terra paraense de Nossa Senhora de Belém. Internou-se, muito moço, no colégio jesuíta de Santo Alexandre, e ouvindo, religiosamente, as lições dos padres da Companhia de Jesus, educadores sábios, formou o espírito e o coração.

Homem feito, enamorou-se da advocacia, alcançando vitórias, na tribuna forense. Orador eloquente, de linguagem clássica, teve, também, José Noronha, no mundo da política, atuação destacada. Elegeu-o  vereador, o povo do Pará, conquistando, nesse posto, esse ilustrado discípulo dos padres de Santo Inácio Loiola, como outrora, na advocacia, a admiração, os aplausos e o respeito daqueles que o elegeram.

Anos decorridos, deixando a representação popular, na câmara do município, foi sentar-se José Noronha, na cadeira de juiz de fora. Severo, escreveu sentenças, resolvendo questões intricadas, sem perder, nunca, o alto sentido da justiça. E andava feliz, gozando o prestígio da sua gente, quando a morte lhe feriu o coração, arrebatando-lhe a esposa.

Caiu, Noronha, nesse transe, na solidão e na tristeza. Perdeu a graça de viver, no turbilhão do mundo. As glórias da advocacia, os triunfos do mandato popular e do juizado não lhe despertaram o entusiasmo para recomeçar, na viuvez, a vida trepidante de outrora, fervilhante de emoções.

Voltando-se, então, para o sacerdócio. E encontrou, na oração, a alegria divina da existência. Fez-se padre. Foi, a cruz, sua redenção. Na paróquia do Rio Negro, começou sua jornada de levita do Senhor. E de terra em terra, no coração imenso da Amazônia, padre Noronha pregou a palavra mansa, e dôce, de Jesus. Escreveu, informa o historiador Galanti, um “Roteiro” das regiões percorridas. Exerceu a vigararia geral, na província nativa.

E morreu tranquilo, na sua fé, na velhice coroada de benções, no dia 15 de abril de 1794, aos 71 anos de idade.

Padre Noronha, deve ter merecido, no Céu, pela beleza mora de sua jornada, pela terra, as graças de Deus.

Célio Meira – escritor e jornalista. 

LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.

Setembro de 1939 – Célio 

Mercado da Vitória X Mercado de Gravatá: 7X1 para Gravatá…

O conteúdo dessas linhas é recorrente. Trata-se do meu sentimento, toda vez que adentro o mercado público da vizinha cidade de Gravatá. Por lá, a vida pulsa com a cara do povo do Nordeste brasileiro: queijo, rapadura, mel, cachaça, tanajura, tripa de porco, bode guisado,  chapéu de couro e músicas com expressões regionais que bem representam esse “nosso” pedaço do Brasil. 

Por aqui, na nossa Vitória de Santo Antão, pouco mais de 30 km de distância, adormecido em ruinas, o nosso mercado público, que no inicio do século XX simbolizava pujança econômica e o pioneirismo da modernidade regional, hoje, reflete o fracasso e a incapacidade da nossa cidade,  em conectar passado e presente,  com os olhos voltados para o futuro.

Detalhe: por lá, no Mercado Cultural de Gravatá, além dos muitos nativos de Santo Antão, que se dirigiram para aproveitar essas delícias do entrenimento, artistas antonenses comandaram a cena musical. Primeiro, apresentou-se a Banda Raylux. Depois,  subiu ao palco Nildo Ventura.

Ao final, todos se deslocaram para Gravatá. Uns  para se divertir.  Outros para  trabalhar: é uma espécie de inversão. Ou seja: a roda grande (Vitória),  passando por dentro da roda pequena (Gravatá). Que me perdoem  os nativos de Gravatá. É que outrora todo esse território pertencia-nos: éramos todos da então Vila de Santo Antão.