
Nas terras da província da Paraíba do Norte, talvez em Maranguape, pensamos nós, nasceu, informa o erudito historiador Liberato Bitencourt, nos fins do século XVIII, Manuel Lobo de Miranda Henriques. Muito jovem, cheio de idealismo, filiado às correntes da democracia, ingresso nas fileiras dos revolucionários da República de 1817, e derrotado, perseguido e preso, nos cárceres da Baia, pelo horroroso “crime” de pugnar pela democracia da terra brasileira. Anistiado, em 1821, regressou à província natal.
Duas vezes, na qualidade de vice-presidente, governou a Paraíba, dirigindo, de maio de 1831 a novembro de 32, narra Craveiro Costa, ilustrado historiógrafo, os destinos do povo alagoano, em substituição ao visconde da Praia Grande, vulto destacado entre os políticos do partido conservador e inelinado à restauração da tirania monárquica, que caira, na madrugada histórica da abdicação, estrepitosamente.
Governando a terra de Tavares Bastos, adquiriu, Miranda Henriques, afirma Craveiro Costa, uma tipografia, no Recife, por menos de um conto de réis, e a instalou, em Maceió. Foi a tipografia “Patriota”. E com os tipos dessa velha oficina, dirigida por um tipógrafo francês, imprimiu-se, diz esse homem de letras, o 2º número do “Iris Alagoense”, que tivera a primeira edição impressa na Baia.
Foi, Miranda Henriques, por esse motivo, o fundador da imprensa, no torrão das Alagoas.
Prestou serviços, na cidade do Recife, esse ilustre paraibano, na contadoria de Marinha, e , mais tarde, na tesouraria da Fazenda. Representou o seu povo, na Câmara Geral. Coube-lhe, ainda, a honra de sentar-se na cadeira da presidência da província do Rio Grande do Norte.
Faleceu Miranda Henriques, na cidade do Recife, no dia 25 de abril de 1856, beirando, mais ou menos, a casa dos 70 anos de idade.
Político hábil, de sagacidade admirável, fundador da imprensa numa província do nordeste, funcionário público, parlamentar, homem de administração, pertence, Manuel Lobo de Miranda Henriques, pai do preclaro republicano Aristides Lobo, que nasceu na terra paraibana de Mamanguape, ao número daqueles que serviram, e enobreceram, o nome do torrão nativo.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira







































