
Ouro-Preto, a famosa cidade que, durante dois séculos, foi a capital da província de Minas Gerais, e onde Bernardo de Vasconcelos, intimorato demolidor do 1º Império, e o romancista Bernardo Guimarães viram a luz do dia, nasceu Afonso Celso, no dia 31 de março de 1860. Aos 15 anos de idade, publicou os primeiros versos, reunindo-os no “Prelúdios”. Era segundo anista, na Faculdade de Direito de São Paulo, quando entregou às livrarias, o “Devaneios”, enfeixando, dois anos decorridos, no “Telas Sonantes”, as poesias da mocidade.
Bacharelou-se em 1880, naquela Escola, e no ano seguinte, conquistou o grau de doutor com os aplausos dos mestres. Diplomado, armou, no Rio de Janeiro, a tenda de trabalho, na advocacia. E, nessa época, seduzido pela política, pleiteou pelo 20º distrito eleitoral de Minas, a deputação geral. Renhida e memorável, foi essa batalha, nas urnas mineiras. Defrontou-se, o jovem liberal, nessa campanha cívica, com Manuel Fulgêncio, poderoso chefe conservador, e o venceu, vencendo-o repetida vezes.
Subiu à tribuna da Câmara, e é ele que o afirma, no “Oito anos de Parlamento”, na sessão de 28 de fevereiro de 1882, fazendo profissão de fé republicana, e adotando, inteligentemente, o Manifesto de 3 de dezembro de 1870. Bateu-se, também, Afonso Celso, corajosamente, pela extinção da escravatura negra. Republicano e abolicionista, foi, no parlamento da monarquia, uma das figuras de maior relevo, pelo caráter, pela fidalguia e pela cultura.
Jornalista de ideias elevadas e de linguagem correta, escreveu em quase todas as revistas e jornais brasileiras, mantendo a secção “Cotas aos casos”, no Jornal do Brasil. Romancista, teatrólogo e historiador, publicou, Afonso Celso, livros excelentes. E entre esses, destacamos “O Imperador no Exílio”, “Oito anos de Parlamento” e o “Porque me ufano de meu país”, livro admirável, livro amado de seu coração de patriota.
Quando se proclamou a Republica, Afonso Celso encerrou sua carreira pública. Assistiu à queda política de seu pai, o venerando e nobre visconde de Ouro Preto, e o acompanhou na amargura e no ostracismo. O inquieto republicano de 82 transformou-se no tranquilo monarquista. Não combateu a instituição República, mas ficou fiel ao Imperador. Não se vinculou, nunca aos conspiradores, nem ingressou nas fileiras dos políticos ferozes do 2º Império. Serviu, indiretamente, à Pátria. Pertenceu à Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de Teófilo Dias. Foi, também, no Instituto Histórico Brasileiro, coluna vigorosa. Mestre de direito, pontificou na cátedra.
E, morreu aos 78 anos de idade. Finou-se Afonso Celso, conde pela Santa Sé, admirado pelos homens. Deus o abençoou, à hora derradeira.
Célio Meira – escritor e jornalista.
LIVRO VIDA PASSADA…, secção diária, de notas biográficas, iniciada no dia 14 de julho de 1938, na “Folha da Manhã”, do Recife, edição das 16 horas. Reúno, neste 1º volume, as notas publicadas, no período de Janeiro a Junho deste ano. Escrevi-as, usando o pseudônimo – Lio – em estilo simples, destinada ao povo. Representam, antes de tudo, trabalho modesto de divulgação histórica.
Setembro de 1939 – Célio Meira.
























Linha Adutora – Pacas (1934)





