
Compreender a dinâmica do ambiente político não é uma tarefa das mais fáceis. Não existe faculdade ou formação intelectual que garanta sabedoria e perspicácia nessa atividade. Ser engando nesse xadrez de interesses é a regra maior. E é nesse contexto que se aprende um pouco mais.
Espaço insalubre por natureza, na política, não existe amizade, lealdade ou mesmo respeito a quem quer que seja: só interesse e conveniência.
Lembremos, também, que no jogo político não existe fato isolado. Tudo e todos estão interligados pelo fio condutor – quase sempre – da vantagem e da vingança. Do adversário de sempre, da vez ou mesmo daqueles que caminham ao seu lado: aquilo que a imprensa costuma chamar de “fogo amigo”.
Pois bem, na qualidade de observador da cena política tupiniquim estou desconfiado que em 2026, em Pernambuco, existe uma marcha rumo a um “terreno pantanoso” que circunda os passos da candidata ao senado Marília Arraes.
Não obstante a mesma ser a líder isolada nas pesquisas de opinião para o senado, divulgadas até aqui, já é possível sentir o mau cheiro (covardia) que ainda está por vir.
Imagino que praticamente todos os “atores graduados” da política pernambucana estão “jogando contra” a neta do Doutor Arraes.
A política Marília Arraes não é mais uma na “fila do pão”. Com sobre nome de peso, sua iniciação na atividade política vem das bases. Sua trajetória é um atestado inequívoco da sua vocação.
Antes, porém, para alicerçar essa “desconfiança”, vale lembrar, aqui, alguns episódios envolvendo esses mesmos atores.
No meu modesto entendimento, seu primeiro movimento fora da curva se materializou quando seu primo governava o estado. Enquanto a expressiva maioria dos grupos políticos pernambucanos atravessaram a “avenida do adesismo”, para ficar do lado do então poderoso governador Eduardo Campos, ela fez o movimento no sentido contrário. Resumo dessa equação: se firmou como liderança. Com luz própria. Na luta, na raça…
Então filiada ao Partido dos Trabalhadores, não teve vida fácil. Na sua eleição para prefeitura do Recife teve que jogar contra o PSB e a cúpula do seu próprio partido que, sem nenhuma vergonha na cara, se abraçou com o projeto e os espaços oferecidos pelo adversário, antes mesmo do dia da eleição.
No segundo turno da última eleição ao Palácio do Campo das Princesas (2022) os lideres do latifúndio das esquerdas pernambucanas, pelas circunstâncias impostas pelas urnas, foram obrigados a “levantaram a bandeira branca” na sua direção, para os devidos registros fotógrafos, mas, concomitantemente, jogaram gasolina na fogueira da traição eleitoral. Os grupos aliados foram liberados. Cruzaram os brações geral e se regozijaram com o calvário da candidata. Nas coxias: diziam seus falsos aliados: “melhor assim, voltaremos mais adiante…”.
Quatro anos se passaram, e mais uma vez os que se arvoram donos das esquerdas da terra dos altos coqueiros, não queriam ver Marília candidata à Casa Alta. Tiveram que engoli-la. Em articulação nacional, a mesma viabilizou um partido e anunciou: “serei candidata avulsa”.
Efetivada na chapa da Frente Popular, Marília Arraes vem comendo o pão que o diabo amassou. Seu “companheiro” de chapa – talvez o seu maior inimigo – vem compondo com “deus e o diabo” para tentar suplanta-la.
Seu primo, líder do grupo, não gostaria de vê-la senadora em nenhuma das situações: se for governador, não suportaria ver sombras. Se naufragar, não gostaria de ser liderado pela prima do seu pai que, inevitavelmente, seria alçada a líder maior das esquerdas pernambucanas .
Raquel Lyra, Eduardo da Fonte, Mendonça Filho e Túlio Gadêlha, naturalmente, são contra Marilia Arraes. Junta-se: Humberto Costa e João Campos. Ou seja: todos contra a Marília Arraes.
Até o dia da eleição, financiada, parte da imprensa também deverá tocar o terror para dizer que ela não é “cavalo de chegada”. Se resistirá? Só a dinâmica da campanha irá dizer……











Amanheço morto na cidade. Tomo conhecimento de que morri logo cedo. Sou um morto muito especial, porque posso negar a minha morte, abrir a porta e sair andando, respirando o ar, rever as ruas, os lugares antigos por onde passei quando criança e que o tempo foi modelando, ora para melhor, ora para pior. Posso perceber, agora, que alguns lugares é que morreram. Caminho com um ar importante pelas ruas, porque posso descrever o que desapareceu. O cheiro do Café São Miguel, as meninas do Colégio Municipal, picolé de mangaba, disco de vinil com o retrato de Carlos Gonzaga, sessões dominicais de cinema, com sabor de ping-pong, Rock Lane a cavalo. Sou um morto que pode contemplar o nojo, a paixão e o tédio dos que me rodeiam e me julgam. Tenho direito a mais um dia, um jantar, telefonar para marcar um encontro. Principalmente, ir ao encontro e praticar, meticulosamente, a arte de dar e receber amor, como na milenar receita de Vatsyayana, o Kama Sutra de todo dia. Sinto-me vaidoso de minha morte. Sem esquife, castiçal, lampejo de vela, coro lúgubre de carpideiras e meu derradeiro desfile, horizontal, pela cidade.
















